quinta-feira, 28 de abril de 2016

A gente morre de amor sim!

Iggy Pop- Cry for love

Li num jornal hoje o lamento dos parentes e amigos de uma pessoa querida que já nem lembro o nome, um fim nada trágico para a família. A pessoa era feliz, tinha muitos amigos e há dois anos havia saído de um relacionamento. Que também não era sério, segundo os mesmos. Porém, ultimamente queixava-se de tudo, todas as dores insginificantes; estomago, cabeça, suores noturnos, formigamentos...

Ninguém deu muita bola e o falecido pouco falou sobre o tema, mas encontraram textos controversos em seu diário que dizia que já não suportava mais viver sem aquela pessoa, a garota "sem importância" que chegou a revoltar seus parentes à mínima alegação de que ele sofria de depressão, ou estava deprimido por aquele relacionamento que não engrenou. Afinal, segundo eles, aquilo não podia passar de boatos e achismos de quem 'não o conheceu' uma vez que ele já vivera outros relacionamentos por períodos mais longos e que também chegaram ao fim e ele havia superado. Sempre superou.

A família parecia verdadeiramente ofendida com tal suposição de alguém que havia lido seu diário e publicado que fulano morreu de amor. "As pessoas morrem de doenças, de acidentes, ou na mão de um psicopata, mas não de amor, algo patético se for pensar que todas as pessoas já passaram por isso na idade e sobrevireram" afirmou seu irmão mais velho. E eu concordo, é patético.

Acontece que as pessoas morrem de amor sim, morrem porque como ele mesmo disse " as pessoas morrem de doenças..." e essa é uma delas. Me pergunto se não seria muito radical afirmar que essa é uma patologia psíquica pouco levada a sério e demais romantizada, por tanto ainda mais temível uma vez que é incurável, pois encuba e volta ainda com mais força fazendo-nos acreditar que dessa vez será melhor, sem dor e sem fim.? - era isso que também estava escrito em diário.

O problema não foi a garota de dois atrás, embora ela tenha tido algum efeito, mas o processo que ele dizia não mais suportar entre sucumbir ao mal, arrastar-se atrás de cura, acreditar haver vencido quando na verdade o monstro apenas tirava longas cochiladas bem aconchegado dentro de seu frágil ser até que despertava revigorado e com força total para, enfim, outra vez derrubá-lo e deixá-lo febril e irreal a ponto de já não mais desejar viver. - difícil de explicar embora tão familiar, não é mesmo?