sábado, 23 de maio de 2015

Do quadril largo à cerveja em frente à academia.

E num belo sábado de sol eu vou até o mercado e depois à praça do bairro. Motivo: beber uma cervejinha, por que não?
E, lá eu me perco à observar os transeuntes. Alguns indiscretamente incomodados com a minha despreocupação etílica.
Há uma padaria, uma academia logo em frente e em torno uma ciclovia onde atletas de fim de semana e outros mais sérios praticam seus exercícios. Seja aquela corridinha de bunda apertada a uma demonstração maior de segurança estética, ou por vezes desespero pela mesma.O fato é que o que os diferencia entre si é justamente o que os iguala: o exibicionismo do que ambos consideram um ideal para se correr atrás.
Poderia ser menor, mas não foi nesta encarnação.

Pensei na minha adolescência angustiada com o tamanho do meu quadril, coisa que hoje eu amo. Não por ser feminazi e afirmar que tudo que foge ao bom senso é bonito paras as amigxs, desse mal eu ainda não sofro! Mas, eu sofria com o excesso de quadril que eu não considerava ideal, queria um quadril pequeno que quando engordasse ainda daria para disfarçar com uma calça preta. O meu quadril nunca teve dessas de disfarçar, ou estou magra ou evidentemente gorda. E não podendo trocar eu tive que aceitar e me virar com ele, e por essa mesma razão eu encontrei a paz.
Não havia mistério, era preciso sim ser magra, mas não era só isso. Ao cabo eu ainda tive de engolir que mesmo magra o meu quadril continuaria grande, fora do meu ideal e se continuasse emagrecendo eu seria um esqueleto de avantajadas cadeiras. Então qual a vantagem de seguir correndo atrás de um ideal que bem como informa a palavra, se trata de 'uma ideia de'?

Ideias passam, correndo ou bebendo uma cerveja logo de manhã.

Confessa: o sol combina com essa cerveja, vai?